quinta-feira, 15 de julho de 2010

Protesto II


Fernando Pessoa disse que “há no silencio tão profunda sabedoria que, as vezes, ele se transforma na mais perfeita resposta”

Queria poder concordar jubilosamente com o poeta, mas o silencio não me traz uma resposta satisfatória. Bom é quando o silencio revela cumplicidade, sentimento que extrapola o universo das palavras, dando ao olhar a capacidade de revelar o que pela boca se faz desnecessário proferir.

Um olhar diz tanta coisa, sendo até mesmo, às vezes, capaz de dissimular.

Bom, mas não é isso que vem ao caso agora. Quero apenas desabafar sobre este silencio que agora beija friamente meu coração e me sorri, sarcasticamente com um olhar de indiferença.

Há muitas faces do silencio que ainda não tinha visto e esta é a primeira vez que contemplo seu lado negro. Negro pra mim, nítido para você. Confesso que a resposta que o silencio me trouxe não faz calar as minhas perguntas. Meu coração é incansável quando se trata do inatingível...

Mas vou aprender: é assim que funciona... A vida num movimento incessante de erros e acertos, minhas idiossincrasias. Amo-me mesmo assim, sendo composta de vícios e virtudes, limites e possibilidades, pois os desafios perspectivas que silenciosas vão apontando a porta que preciso encontrar.

Você se foi. As palavras ainda deixam no ar essa fragrância de saudade. Amor que poderia ter retrocedido e voltado à singeleza do primeiro oi. Mas, quando foi preciso ser silencio não o quis. Contrariando meus pensamentos, extrapolei os muros de minhas cidade fortificada e, enquanto razão dormia, segui os passos deixados na areia pela paixão. Cheguei ao muro, pulei, corri, e, chegando ao monte mais alto de minhas terras, bravamente gritei, gritei todas as vontades reprimidas alma adentro e te revelei o que você ainda não estava preparado para ouvir.

Sinto que preparado estavas, mas não aceitastes o convite que te fiz. Tudo bem, há coisas na vida que se forçadas causam grandes danos.

Quanto a mim, ei de imitar Adelia : “ quebrando pedras e plantando flores...!”

Protesto I


As pessoas dizem que na maioria das vezes costumamos culpar os outros pelos nossos erros. E que isso é uma maneira feia de fugirmos da responsabilidade pelos nossos atos. Eu não estou nem ai. Culpo, culpo e culpo sim você: por ter se feito paixão, ter me prendido pelas palavras e ter abocanhado meu coração e depois, cuspi-lo pra longe foi fácil.

Mas ele, pobre coitado, ficou lá, estirado no chão, sem entender os motivos de um sentimento abortivo. Não está mais doendo tanto o sentir, se é que me entende, este se ameniza na frieza dos dias que seguem; mas a indiferença, nossa...essa sim machuca sem piedade. Pra mim ela é ininteligível, incomprrensivel. Talvez por isso doa tanto.

Como é triste você querer que ao menos a pessoa se lembre, se importe o minimamente com você. Mas o que você recebe ? Silencio e mais silencio recheado com porção dupla de indiferença.

Não posso julgá-lo por não gostar de mim, mas posso culpá-lo e decretá-lo culpado por ter invadido a minha vida com a sua presença. Uma coisa eu aprendi: nunca diga a ninguém o que você simplesmente quer que ela ouça, quando na verdade, seu sentimento não acompanha sua fala. Isso deveria ser punido em lei. Assim, decretaria a você voz de prisão, por homicído-sentimental-doloso.

Mas você é que está certo. Sua indiferença demonstra domínio próprio. Eu vou aprender. Não a ser indiferente, mas a ter esse domínio do qual falo, sempre no melhor sentido do termo.

Há um outro alguém que talvez sofra com minha indiferença. Será que estou recebendo a paga? Creio que não, porque sempre deixei bem claro pra esse alguém o que sinto e lancei à sua frente as possibilidades ínfimas de existir algo além do que amor philos. “Não perca seu tempo comigo”, disse. Pudera eu ouvir esta frase de sua boca, para amenizar a tristeza que punge aqui dentro pela dor não de sua ausência, mas de sua indiferença.

Seja feliz, anseio por isso sim. Mas espero não vê-lo nunca mais em minha vida. E que esta cidade se torne infinita o suficiente para que nunca cheguemos a nos esbarrar pelas ruas.

Eu cumpri minha promessa e a seguirei cumprindo em silencio. Quanto a você, não sei por que o julgo tanto, mas meu julgamento tem toda a pretensão de se fazer verdade: você nem lembra. Simplesmente o que passou passou. Método oi: simples assim

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Toda silêncio, tudo coração


Gosto de ler suas palavras. Elas revelam uma parte em mim que ainda não sei dizer.
Há coisas aqui que, por hora, prescindem tradução.
E é sempre assim: o meu olhar revela o que a fala não quis gritar.
Mas, o que faço, posto que não há olhar, não há fala...Há apenas palavras, palavras escritas, psicografia do amor.
A simbiose dos corações: dessemelhantes, distantes, estranhos, mas na alma irmanados pelo poder de palavrear.
A metáfora revela o que não cabe no tempo: simbologia que ameniza as dissonâncias de minha criança interior.
De incongruências eu sou feita.
Coração feito colcha de retalhos vai tecendo seu mosaico, utilizando-se do que há de mais simples: o sorriso que recebeu pela manhã, o olhar que apressado esbarrou no meu, mas que em milesimos de segundos, fizeram-se um só. A mesma lua que te ilumina, vejo-a do lado de cá, mas é a luz refletida nas aguas de minha terra que atraem!
O mesmo vento que te toca a face, brinca do lado de cá com os meus cabelos...
Digo que a distância inexiste, quando pela força da palavra, leio em palavras tuas, segredos meus.
Coração nem sempre carece de presença. Basta caneta, papel e pronto: as confissões em palavras.
Estas mesmas palavras traduzem o que meu coração, dormindo, apenas balbuciou.
E é simples: apaixono-me por inspiração...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Meu pensar...

E assim eu sigo: enquanto um pé avança o outro recua. Movimento dos contrários que permite o avanço.
A limitação não é o ancoradouro de minhas águas, mas as velas que me levarão além-mar, aquele lugar que chamastes imperiosamente de águas mais profundas....
É lá que as possibilidades se descortinam na impetuosidade das ondas, que movidas também pelo ímpeto dos ventos, lançam as velas para o 'avante da busca'.
O ponto de chegada que me mostra o lugar do encontro..encontro que se faz a dois: amante e amado, seguindo em passo duplos: dá-me amor, devolvo-te amor, dá-me ainda mais amor, dou-te meu sorriso, meu abraço, minhas mãos, minhas preces, meu olhar....dou-te a vida.
"Amor, ele disse. E surgiu uma rosa, como tão bem poetizou Drummond. Minha poesia se tanslitera em mãos calejadas e cresce, feito criança ladina,a brincar em terras de várzea...o chão que por mais duro que seja, não resiste ao poder da água, que ao inundá-lo, torna-o fecundo, independente do seu querer.
Amor, Ele disse, o o verbo se fez carne e anda por aqui, tentando me ensinar a amar do jeito certo.
Portadora de humanidade...todinha assim: humana demais

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Minha Paris dos Trópicos...


Bar Guarani, a edificação mais antiga existente em Manaus - século XVII





Igreja da Matriz em Manaus






Teatro Amazonas




Praia da Ponta Negra, vista à noite




Esta fotos são de Mauri Santos e foram tiradas de Skycraper city

Parte de mim


“ Havia um tempo em que o crepúsculo me atraía.

Era quando eu preferia ver-me por entre aquela claridade fraca – resquício de luz que persiste ao ocaso do sol.

Meu coração assemelhava-se aquela flor, escondida por entre as rochas e minha alma era como as pétalas fechadas em si mesmas... Não havia beleza que se pudesse contemplar, pois o que está oculto, como pode ser contemplado?

Pai Nosso e amor que tomo por meu, já conhecias esta beleza escondida em mim, já me admiravas como parte de Tua criação, sem que eu sequer percebesse o teu olhar a me amar!

E eu, não me percebia, seguia sem me sentir. Como podia então te amar e te sentir? Simplesmente, não sentia.

Ensimesmada, inclinada ao chão, via apenas passos; passos que me conduziam a algum lugar.

Pensando eu não ir a lugar nenhum...

Por entre as linhas de uma existência silenciosa, fostes tecendo um trajeto de amor, que hora ou outra, me conduziriam a um único lugar: o teu coração.

E tudo foi assim...perfeito demais. Você veio em minha direção e eu seguindo distraída pelo caminho. Esbarro em ti e quando penso em pedir desculpas, lanças em mim teu olhar de eternidade, dizendo: Pede desculpa não, fiz de propósito!

E assim, num momento de minha história, desviastes o meu olhar do nada, olhei rapidamente a mim e cheguei, finalmente, a ti. Fulguraste em arroios de ouro por entre as sendas deste humano e frágil coração.

Por vezes, pergunto-me: Como posso ser a imagem e semelhança do teu ser? Sei apenas que sou semelhança do Amor pelo qual o amor foi gerado em mim!

Tu me sonhavas? Sim...

Tu me amavas, mesmo quando te ignorava?Sempre...

Então, quando em meio ao crepúsculo eu estava, existias; mas eu não te sentia. Não tinhas consistência para minha existência.

E aí, naquela comum manhã, apareceste na janela da minha alma, declarastes o teu amor e até hoje ainda consegues me deixar sem graça assim...

E assim, no silêncio dos dias que seguem, em tudo vejo a gentileza do teu amor se refletindo em vida para mim.

Quando as palavras emudecerem, quero que olhes para mim e ouças o meu coração que, a cada batida, declara-te amor.

Amor tecido de imperfeições e limitações, mas que mesmo assim quer amar.”

Um e-mail que nunca mandei....


Por que será que muitas vezes não acreditam na gente?
Por que é tão díficil admitir que todos nós mudamos e evoluimos, constantemente, em todos os sentidos?
Por que é complicado ao ser humano, entender que, às vezes, "não é o que ele quer", mas o que o Pai tem pra nós?
Por que que é tão ruim admitir, que em muitos aspectos de nossa vida, somos demasiadamente perfeccionistas?...
E acabamos perdendo muitas oportunidades por isso...
Acho que tá na hora de analisarmos a nossa vida, o que nós julgamos ser bom, correto...prático!!
Será que a nossa forma de pensar é a correta?
Será que devemos ficar esperando as coisas acontecerem, ou nós mesmos devemos fazê-las acontecer, de forma com que nada seja forçado, nada seja planejado...mas apenas feito e pronto?!
O que é o "natural"?
O que é "coincidência"?
O que é "destino", senão o resultado das escolhas que fazemos em nossas vidas?
Mas, e se "não escolher nada", for uma boa escolha?
Acho que a gente já sabe viver, só temos é medo de nos machucarmos com a forma de viver que vivemos...isso é redundante!!!
Minha vida é apenas um fluxo de tudo o que eu dou a ela: se dou pouco, recebo pouco;
se dou nada, recebo nada. O que devo dar então?! Dá um pouco do tudo que existe dentro de ti!!
Esquece o nada!!! E recebe, apenas o pouco do tudo que vc retribuir a ela!
Amo você "P"...Camila