Fernando Pessoa disse que “há no silencio tão profunda sabedoria que, as vezes, ele se transforma na mais perfeita resposta”
Queria poder concordar jubilosamente com o poeta, mas o silencio não me traz uma resposta satisfatória. Bom é quando o silencio revela cumplicidade, sentimento que extrapola o universo das palavras, dando ao olhar a capacidade de revelar o que pela boca se faz desnecessário proferir.
Um olhar diz tanta coisa, sendo até mesmo, às vezes, capaz de dissimular.
Bom, mas não é isso que vem ao caso agora. Quero apenas desabafar sobre este silencio que agora beija friamente meu coração e me sorri, sarcasticamente com um olhar de indiferença.
Há muitas faces do silencio que ainda não tinha visto e esta é a primeira vez que contemplo seu lado negro. Negro pra mim, nítido para você. Confesso que a resposta que o silencio me trouxe não faz calar as minhas perguntas. Meu coração é incansável quando se trata do inatingível...
Mas vou aprender: é assim que funciona... A vida num movimento incessante de erros e acertos, minhas idiossincrasias. Amo-me mesmo assim, sendo composta de vícios e virtudes, limites e possibilidades, pois os desafios perspectivas que silenciosas vão apontando a porta que preciso encontrar.
Você se foi. As palavras ainda deixam no ar essa fragrância de saudade. Amor que poderia ter retrocedido e voltado à singeleza do primeiro oi. Mas, quando foi preciso ser silencio não o quis. Contrariando meus pensamentos, extrapolei os muros de minhas cidade fortificada e, enquanto razão dormia, segui os passos deixados na areia pela paixão. Cheguei ao muro, pulei, corri, e, chegando ao monte mais alto de minhas terras, bravamente gritei, gritei todas as vontades reprimidas alma adentro e te revelei o que você ainda não estava preparado para ouvir.
Sinto que preparado estavas, mas não aceitastes o convite que te fiz. Tudo bem, há coisas na vida que se forçadas causam grandes danos.
Quanto a mim, ei de imitar Adelia : “ quebrando pedras e plantando flores...!”








