E mais uma vez... Lá estava eu, com as mãos levantadas, gritando desesperadamente para que me visses em meio à multidão. Tanta gente havia naquele porto, mas eu tinha certeza de que me diferenciarias de todos aquelas faces, pois trazia como estandarte meu coração.
Entretanto, meu coração com os seus espinhos te machucaria. Percebi isto antes mesmo de entregá-lo a ti, posto que já trazia em minhas mãos marcas impressas de seus reveses, como que em gotas de sangue sobre o mármore, escritas como: não podes tê-lo!
Indaguei então em voz de protesto: Ora coração ingrato, por que despertaste o amor que tranquilamente adormecia? Calado estava calado permanece.
E mais uma vez, cá estou eu, com as mãos enxugando as lágrimas, calando para que não me percebas, abaixando-me para que me perca em meio à multidão.
Tu não me verás, eu não te verei... E distancia selara a saudade que de ti me separa.
e nunca hei de comparar nada... História de vida, diferença de idade, cor, tamanho... Nada disso me importa.
Para mim sentimento é algo incomparável. Não importa se tu sentes, importa que eu sinta!
É dispensável o teu amar, indispensável que eu te ame. Sim, interessa que eu viva o que tiver de viver. E, embora as tuas mãos não me façam companhia neste frio, pouco importa isso também. Há aqui apenas um coração, solitário e apaixonado coração que ama.
Simplesmente ama. E por amar, vive!
PS: "Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu deus como você me doía de vez em quando, eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada, um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando, meu deus mas como você me dói de vez em quando."
Caio F.